Notas de Conquista

01/10/2009

Nos dias de hoje, o troca-troca

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:49

Troca-troca I

Herzém saiu do PSDB para o PMDB, partido onde Coriolano se aboletaria em busca de uma eleição que o ressuscitasse politicamente. Mas, o PMDB refugou Cori. Ele faz o quê? Vai para o PSDB que Herzém refugou.

Herzém já foi PDT, PSB, já apoiou o PT, foi PSDB e agora é PMDB.
Cori já foi PMDB, PSB, PDT, PFL e agora é PSDB.

Cori fez essa trajetória em 30 anos de política. Herzém idem. Porque nem todos são obrigados a saber, mas, Herzém pertenceu a vários partidos, e fez muita política enquanto era radialista. Chegou a ser cogitado para vice de Guilherme ou de Jadiel, se o excelente ex-prefeito se candidatasse de novo; chegou a conversar para fazer dobradinha com o próprio Cori em 1994, e foi cotado ou ofereceu-se para ser candidato a prefeito outras vezes, muito antes de 2008. Porque nada disso se confirmou? Um dia ele fala.

Em 1988, Herzém atacava Pedral com enorme virulência, esculhambava o então prefeito de Conquista como se Pedral precisasse ser escorraçado da face da Terra, aí, fizeram uma oferta a ele, uma boa grana, e ele passou a fazer parte do palanque de Murilo Mármore, encarregado de anunciar os discursos exatamente de Pedral e do próprio Murilo, com seu vozeirão. Quem contratou Herzem não contratou o animador de comício, ele sabe disso, contratou o radialista, que ficou calado no rádio enquanto gritava no palanque, com Zerenildo e Edivaldo Ferreira: “Com vocês, ele, J. Pedral, Pedral, Pedral”.

Há alguns anos Herzem dizia no rádio, literalmente, que Conquista deveria colocar os joelhos no chão e rezar, agradecendo a Deus por Guilherme, um santo, um anjo, um ídolo. Deus no céu e Guilherme na Terra (isso quando não invertia os papéis). Hoje, Guilherme e o PT são os cães do inferno.

Herzém mudou porque ele se acha Deus. Ou recebeu uma missão, uma mensagem divina. Deve ser isso.

Não diria jamais que Herzém é corrupto ou que rouba. Mas, que é incoerente, isso é. E sempre se moveu pelas ofertas. Sempre foi um profissional, no sentido de saber usar a profissão. Mostra, agora, que sabe ser, também, um profissional da política.

Eu não votarei nele. Nem em Cori.

Troca-troca II

Nos primórdios, Cori foi um político correto, aos olhos distantes do eleitor. Trabalhava muito por Conquista e região. Mas, não gosta nem de Deus. É um cara insensível, que só pensava em política e mandato. Nem no poder, mas nos benefícios do mandato, em viajar o mundo por conta do contribuinte. Gostava de ser autoridade. Um anti-social. Ninguém o via em festas, ninguém o via em missas ou cultos. Ninguém o via com a família. Nem Natal Cori comemorava.

Um dia o eleitor viu o que ele fazia escondido. O santo de barro quebrou-se, partiu-se em pedaços. Uma vergonha que o fez renunciar. E, de repente, o cara que preferia viver sozinho, que desconfiava de todo mundo, que se achava o melhor, o mais capaz, o único, ficou isolado, acabrunhado, andando pelas ruas como um zumbi da política, mendigando olhares.

Agora, a arrogância tomou outro tombo. Foi trocado por Herzém. Os dois irmãos gordinhos acham que Coriolano não sai mais do lugar. Nem pediram desculpas, nem disseram obrigado, exatamente como Cori sempre agiu.

Mas, Cori quer ressuscitar. Eu, como cristão, acho que ele merece uma chance. Mas, ele já pediu desculpas ao povo pelo que fez? Ele já mostrou que merece essa chance que pede? Eu já votei nele, não voltarei a votar, mas, se ele demonstrar que se envergonha da vergonha que causou, poderá voltar a ser deputado, porque isso ele sabia ser, com competência.

A questão é saber como ele se comportará quando lhe propuserem emendas ao Orçamento da União para ambulâncias, quadras poliesportivas, feiras cobertas ou anel viário.

Herzém é uma incógnita. Radialista, ele negocia espaço e credibilidade no rádio. Eleito deputado, ele vai negociar o quê? Espero que ele ache importante esclarecer essa questão. Feito isso, poderá ser um deputado, sim. Ele é incoerente politicamente, mas é inteligente, poderá se dar bem lá.

Mas, na comparação, homem por homem, pessoa por pessoa – o incoerente e mercantilista Herzem e o poço de frieza e sanguessuga Cori – acho que dá empate.

Ainda bem que existe Mão Branca.

30/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 6

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 20:32

Como eu disse antes, Pedral não sabia que ao trazer Guilherme Menezes para o seu governo estaria, como dizia o povo antigamente, “criando cobra para lhe morder”, ou “sarna para se coçar”. Não que Guilherme nunca tivesse feito parte da administração municipal. Quando Jadiel era prefeito e o secretário da Educação era Fernando Eliodório, Guilherme Menezes chegou a Conquista com uma mochila nas costas e acabou ganhando um emprego de professor na zona rural, na localidade de Cachoeira das Araras.

Como tudo o que escrevo está na minha memória e é baseado em relatos, pode haver inconcisão de datas, personagens ou locais. Mas, com certeza, Guilherme não era médico ainda e o lugar por onde começou a sua “jornada” foi mesmo Cachoeira das Araras, que, na propaganda de sua campanha de 1996 ganhou uma reportagem com abordagem romântica e emocionante, do tipo “A Volta do Professor Querido”.  Não precisa dizer que teve o atual prefeito teve lá uma excepcional votação.

A eleição de 1996 foi a segunda disputada por Guilherme Menezes como candidato a prefeito. A primeira foi em 1992, contra Raul e Pedral. Pedral ganhou. Havia feito um pacto com Antônio Carlos Magalhães, que até hoje não teve as suas razões bem explicadas – Pedral não acha isso importante – e que ninguém entendia ser necessário – só Pedral e alguns de seus mais chegados na política.

Ao aderir ao carlismo Pedral manchou a sua história política, abriu mão da posição de destaque que desfrutava na política baiana em favor de algum interesse maior, segundo ele. Com esse apoio ele se elegeu em 1992 pela terceira e última vez. Nos quatro anos seguintes, ele manchou a sua carreira de administrador. Fez uma péssima gestão e a tal ajuda que ACM traria para as coisas darem certo ninguém viu. Para piorar, escândalos se sucederam e nunca se falou tanto em corrupção como naquele período – na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Algumas acusações dizem ter sido injustas, outras eram indefensáveis. Mas, ninguém foi preso ou perdeu mandato. Só Pedral perdeu tudo, considerando que, sendo uma lenda da política baiana, cairia estrondosamente no limbo dos nunca mais reeleitos, apesar de outras duas tentativas.

Em 1996, Pedral perdeu duas vezes. Queria que fosse Yvonilton (Vonca) Gonçalves o candidato a prefeito para enfrentar Guilherme, escolhido por uma frente de partidos, porém, uma crise em seu grupo e uma parte dele conseguiu firmar a candidatura de Murilo Mármore – este com o apoio de ACM que, mais uma vez, deixara Pedral na mão. Os dois, Murilo e Vonca, perderam para Guilherme, que teve mais votos que os dois juntos.

Nunca mais Conquista foi a mesma. E Pedral, como político, passou a ser apenas um nome na história. Ao ponto de, no final de 2008, em uma reunião com participação de políticos e líderes dos partidos derrotados por Guilherme, chamar de líder Herzém Gusmão – o radialista que o combateu como se travasse uma guerra.

No próximo capítulo, escreverei sobre alguns momentos cruciais da relação de amor e ódio, mais de ódio, entre Pedral e Herzém, o atual líder.

Herzem e Pedral

Nesta foto, de 1989, o radialista Herzém Gusmão entrevista o prefeito José Pedral, pouco antes da inauguração da TV Cabrália, no Shopping Itatiaia, em Conquista. Os dois estavam muito amigos, então.

23/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 4

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 00:26

Pedral abre espaço e surge quem o substituirá contra a sua vontade

Uma das maiores lideranças políticas da história de Conquista, o engenheiro José Fernandes Pedral Sampaio, que se chamava J. Pedral quando foi eleito pela segunda vez (recuperando pelo voto um mandato que a ditadura havia surrupiado em 64) fez em seis anos, de 1983 até passar o cargo a Murilo Mármore, em 1889, um governo para ficar na História.

Tocador de obras, J. Pedral fez ou começou a maioria dos equipamentos e a infra-estrutura que hoje funcionam em Vitória da Conquista. Feiras cobertas (Ceasa e bairro Brasil), terminal de ônibus, esgotamento sanitário, barragens, as primeiras vias asfaltadas no interior do município e a extensão do asfalto para os bairros mais afastados do centro, como o Ibirapuera e o alto do Guarany, a urbanização e ampliação da praça Barão do Rio Branco e até um elevado na Régis Pacheco, parte de um bom projeto de ligação da praça da Bandeira ao Ceasa, projeto que o próprio Pedral abandonou e hoje é motivo de piada.

Porém, o mais importante naquele período, foi a construção do projeto político de Vitória da Conquista, coincidente com o surgimento ou crescimento dos partidos de esquerda. Com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a liberação dos partidos comunistas, o surgimento do PT, o Brasil vislumbrava uma democracia ampla, exemplar para a América Latina. Conquista atuou neste sentido, com Pedral à frente.

O governo de Pedral de 1983 a 1989 estimulou a criação e atuação das associações comunitárias nos bairros e na zona rural. Com o trabalho de Elízio Santana, que foi secretário de Expansão Econômica, as associações de moradores se organizaram, implantaram hortas, olarias, padarias e até leiterias, com a famosa vaca mecânica.

Pedral dialogava com todas as correntes mais à esquerda e simbolizava para a Bahia a Conquista oposicionista, trincheira da resistência ao carlismo e à ditadura, mesmo havendo dentro do principal partido, o PMDB, forças antagônicas. Estas divergiam entre si, mas colocavam Conquista acima de tudo.

Foi nesse período, com esse clima de democracia e participação, que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso. Foi nesse período que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso.

Para chegar aos dias de hoje – 5

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 00:10

Uma das áreas mais avançadas no governo de Pedral (e Hélio Ribeiro) de 1983 a 1989 era a saúde. Naquele tempo, Conquista implementou um programa de agentes comunitários de saúde e de valorização e atualização do trabalho das parteiras na zona rural, por exemplo, muito antes do ministro José Serra consolidar essa idéia nacionalmente.

A secretaria de Saúde era um local de debates, avanços, com jovens médicos levando a sério o projeto de fazer saúde pública com ética e universalidade. Uma ação que teve a liderança inicial de Armênio Santos, um oftalmologista impetuoso e incansável, com potencial politico, até perder os limites e ser engolido pelo sistema autofágico que se iniciou entre os pedralistas quando a força de Conquista cresceu muito, durante a eleição e o governo de Waldir Pires. Armênio foi um excelente secretário, mas como político não deu certo, sequer teve carreira.

Com a saída de Armênio da secretaria de Saúde para assumir a Defesa Civil no governo de Waldir, ficou decidido que três outros médicos assumiriam o cargo, dividindo o período que faltava de governo – dois anos. Fábio Ferraz, José Henrique Padre e Guilherme Menezes.

Guiherme, que ao chegar a Conquista em 1973, no governo de Jadiel, atuou na área de educação, no interior do município, agora, tinha a oportunidade de colocar em prática seus ideais de saúde pública. Não foi bem desse jeito, porque havia um certo engessamento no projeto pronto da saúde de Conquista (e muita desconfiança) mesmo assim, Guilherme pôde ampliar seus contatos com a população, movimentar-se pelo município e fazer a base do seu projeto político, ainda que, é correto dizer, sempre pautasse sua ação de forma responsável e até tímida. O prefeito em exercício era Hélio Ribeiro. Pedral estava na secretaria estadual dos Transportes.

Logo depois de desempenhar o papel de secretário de Saúde de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes foi escolhido diretor do Crescêncio Silveira, numa eleição direta em que votaram os profissionais do hospital, incluindo os médicos daquele que era o único hospital estadual na cidade.

Não sei se Guilherme era filiado a algum partido político. Talvez ao PMDB de Waldir, embora fosse discreto. O PV, partido pelo qual ele foi candidato a prefeito em 1992, já existia quando ele foi secretário de Saúde e diretor do Crescêncio Silveira, mas não havia se formado ainda em Conquista.

O incrível é que desde que Guilherme apareceu em Conquista, passando de educador rural, a secretário de saúde, diretor de hospital, candidato a prefeito, deputado estadual, prefeito eleito duas vezes, deputado federal eleito duas vezes e prefeito de novo, todos os políticos atuantes daquele tempo perderam espaço ou desapareceram como lideranças.

Alguns porque se distanciaram e foram esquecidos pelo eleitor, outros porque foram punidos e rejeitados nas urnas, poucos porque desistiram. Entre os que estão vivos: Raul Ferraz, Sebastião Castro, Margarida Oliveira, Coriolano Sales, Clóvis Flôres, Clóvis Assis, Murilo Mármore, Antonio Dantas, Vonca Gonçalves, Élquisson Soares, Leônidas Cardoso, Iran Gusmão e, mais recentemente, José William e Edivaldo Ferreira.

Daquele tempo só ficou Vivi Mendes, com a ajuda do próprio Guilherme. Muitos tentaram e ainda tentam recuperar prestígio politico-eleitoral, votos. Ninguém conseguiu ainda, entre os, digamos, politicos tradicionais. Alguns ex-prefeitos sequer conseguiram eleger-se vereador. Hoje, o nome que existe como força de oposição a Guilherme e alternativa ao PT no governo, é o radialista Herzém Gusmão. Voltamos a nossa história.

15/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 1

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:41

Divagação histórica, com foco no MDB

Para que eu possa continuar o tema inicial deste blog, me permitirei “divagar historicamente” sobre o antigo partido de José Pedral Sampaio, a mais importante figura da política conquistense dos últimos 47 anos.

O antigo MDB que elegeu Jadiel em 1972 não era o mesmo em 1982. A eleição de Jadiel foi um marco político da cidade e até hoje é lembrada como a retomada de um projeto mais à esquerda interrompido em 1964 com a cassação de José Pedral. O agrupamento que fazia oposição ao governo militar e ao seus representantes da Arena chegou perto em 1966 quando Gilberto Quadros teve a maior votação individual, mas como naquele tempo havia uma aberração chamada sub-legenda, a ditadura determinou como eleito Fernando Spínola, que foi o mais votado pela Arena 1, cujos votação somada com os votos dados ao candidato da Arena 2 superou o total dos dois candidatos do MDB.
Frustradas as eleições de 1966 e 1970, quando foi eleito Nilton Gonçalves, vencendo a Jadiel Matos, o MDB chega à prefeitura de Vitória da Conquista com Jadiel em 1972. Ali, a divisão do partido estava definida. De um lado Jadiel, Sebastião Castro e Élquisson Soares, entre outros, do outro lado José Pedral e Raul Ferraz, para ficar nos políticos de maior projeção. A consolidação da divisão, que virou briga, deu-se em 1976 quando o grupo de Jadiel queria Fernando Dantas Alves como candidato a prefeito e José Pedral quis Raul Ferraz. Como a cada eleição era como se fosse a vez de Pedral mas ele não podia, pois estava afastado da política por força de ato do governo militar, era como se Pedral pudesse escolher quem iria “no lugar dele”.

Para chegar aos dias de hoje – 2

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:39

Raul Ferraz trouxe o Cristo para a serra. Jadiel trouxe Guilherme

O mandato de Raul foi o primeiro de seis anos. Foi mediano. Ou, pelo menos, não se sabe muita coisa de destaque que ele tenha feito. A estátua do Cristo na serra do Periperi foi colocada lá durante a administração de Raul, mas, dizem quase todos os pedralistas vivos que o projeto e a encomenda vinham desde o mandato interrompido de José Pedral (que, é bom lembrar, era chamado pela marca de J. Pedral).
Também não se acha muita coisa ou quase nada físico, material do governo de Jadiel, que é defendido por muitos como o melhor da história de Conquista. Mas, defendem os que participaram ou torceram por Jadiel, inclusive alguns que são guilhermistas hoje, que Jadiel fez um governo social, baseado na educação, além de ter dado atenção especial ao interior, com suas estradas e açudes sempre precisando reformar ou aumentar. Guilherme Menezes, o prefeito de Vitória da Conquista neste 2009, chegou naquele tempo. Teria começado o seu projeto de melhorar a cidade pelo povoado de Cachoeira das Araras.
Aí, já são outros capítulos.

Para chegar aos dias de hoje – 3

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:38

Aceitando (e carecendo) de reparos

Não sou historiador e escrevo de memória. Não tenho obras de consulta e nem falei com qualquer pessoa ao escrever estas notas, portanto, pode haver (e certamente há) erros. Aceito as criticas e quero fazer as correções dos erros apontados. Os que desejarem escrevam direto no espaço de comentários ou enviem e-mail para giorlando.lima@uol.com.br com copia para giorlando.lima@gmail.com/
Obrigado a todos.

SOBRE RÁDIOS, RADIALISTAS E POLÍTICOS

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 16:22


Volto a postar aqui. Iniciei este blog em 2004 e parei por mais de quatro anos. Vou voltar tentando continuar a saga dos radialistas, que puxava uma saga maior, da política conquistense, com foco no período 1982 a 2000. Os radialistas eram (e são) Herzém Gusmão e Paulo Nunes, que, quando eu fazia o blog, defendiam as duas maiores forças da política conquistense de então, o PT, leia-se Guilherme Menezes, e os anti-PT, representados por Coriolano Sales, antes da vergonha.

Havia pelo menos 20 anos que a imprensa, a mídia e os condutores da opinião pública eram as emissoras de rádio, ou os radialistas, sempre com Herzém de líder inconteste. Nessa condição ele foi protagonista de muitas histórias na política local, algumas das quais não se pode dizer que foram bonitas, mas, tudo em nome da audiência, da necessidade de gerar temor e do faturamento, claro.

Em 2000 isso parecia que ía mudar. A Rádio Clube, fortaleza e trincheira de Herzém Gusmão mudou de controladores. Aí, Coriolano tentou ocupar o espaço, a voz escolhida foi a de Paulo Nunes. Se isso mudaria a política conquistense os anos vieram para responder. Hoje o duelo continua, mas Herzém não é mais o muro de contenção de Guilherme e ao mesmo tempo a rampa de lançamento do foguete petista, ele é agora, o anti-Guilherme, assumindo o bastão que já foi de Vonca, Murilo e Coriolano Sales. Paulo continua a voz de Cori, que também é contra Guilherme, embora Paulo nem seja tanto.

Vamos ver aonde chegamos.

FOTOS E FATOS

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 16:21


Uma das novidades do blog será a publicação e fotos do meu acervo particular, originários dos antigos jornais Parlamento e Folha de Conquista e da Revista Conexão. Foto como esta, que estarão acompanhadas do fato a que estão relacionadas – nem sempre políticos.

O poder dominante ainda vai dominar

Quando poder dominante era mesmo poder dominante o partido principal fazia a convenção do Ginásio de Esportes Raul Ferraz. Na guerra de filiações, usando as armas mais diversas, fez milhares de pessoas se filiarem ao PMDB. Aqui, aparecem o médico Clóvis Assis e o ex-prefeito Murilo Mármore, alem de dois assessores do segundo. O ano era 1987 e Clóvis queria a direção do partido para poder decidir quem seria o candidato a prefeito em 1988. Clóvis defendia o nome de Raul Ferraz.  A campanha de Assis dentro do PMDB tinha como mote a frase: O povo quer mudar. E agora José?

O povo não quis mudar e José Pedral manteve o controle partidário. Clóvis saiu e foi candidato a vice de Sebastião Castro, um ano depois, contra Murilo, que se elegeu.

O QUE HAVIA SIDO PUBLICADO DE NOVEMBRO DE 2004 A MARÇO DE 2005

Arquivado em: Uncategorized — Giorlando Lima @ 16:18

Vale a pena ler (ou reler, para os que acompanhavam o blog antes) para entender o que vem daqui em diante. Ou não.

O duelo no rádio
Quando cheguei a Vitória da Conquista, em 1984, enviado pelo jornal A Tarde para auxiliar o saudoso e competente Hélio Gusmão na cobertura das coisas da “capital do Planalto” e da região Sudoeste, era o tempo de J. Pedral. Sobre ele escrevia muito (e bem) um jornalista chamado Paulo Brandão, que morreu longe daqui, depois de ter sido “deportado” de Vitória da Conquista (essa história eu conto mais tarde).
Pois o jornalista e o radialista mais influente da época não se davam bem. Por algumas razões que diremos óbvias: Paulo Brandão defendia J. Pedral (assim grafado porque assim ele era conhecido, por uma marca). O radialista era inimigo figadal do então prefeito em segundo mandato (as razões conto mais tarde).

O duelo no rádio II
Naquele início dos anos 80, não havia concorrência (externa, diga-se) ao radialista. Na rádio Bandeirantes havia competência, porém lá atuavam ótimos locutores de FM, disc-jóqueis, como se dizia. Pouco se fazia em termos de jornalismo e menos de debate político, embora os radialistas de lá comparecessem a coletivas e usavam equipamentos com adesivos de “imprensa” colados.
Só o jornalista Paulo Brandão “duelava” com o radialista.

O duelo no rádio III
Um dia qualquer de outubro ou novembro de 1984, lá se vão 20 anos, escrevi uma matéria bem pequenininha para o jornal A Tarde, dando conta de uma vitória judicial ou algo semelhante (não me lembro bem e não tenho arquivos), do jornalista sobre outro de seus desafetos (ele os tinha muito e mais tarde falo disso também), o delegado Pedro Aníbal, que além de autoridade policial tinha padaria.
A matéria publicada assustou o então representante comercial e chefe do escritório de A Tarde em Conquista , o fotógrafo Kadete, assim mesmo com “k”, um mestre na arte do viver, meu amigo. Disse-me Kadete: “sabe quem passou aqui hoje de manhã, para falar sobre a matéria, dizendo que estava toda errada? Herzém.”

O duelo no rádio IV
Não entendi direito o nome, o que só conseguiria bem mais tarde. E perguntei: “quem é esse Élvio?”
– Um radialista forte, da família Gusmão, a mais valente daqui. Tome cuidado, ele não gostou nada, nada, do que você fez, pois o jornalista não é flor que se cheire.
Kadete me perdoe, as palavras do diálogo certamente não foram essas, mas poderiam ter sido. Um pouco de ficção ajuda o raciocínio.
Bem, a verdade é que Herzém não voltou lá. Nenhum Gusmão me fez qualquer mal, só gentilezas quando ocorreu de alguém da família tratar comigo. Herzém só me constrangeu uma vez (conto mais tarde). E Paulo Brandão e o delegado não foram mais notícias no A Tarde, pelo menos escritas por mim.

O duelo no rádio V
Talvez um dia eu fale dos duelos (sempre no campo profissional, embora com alguns relances de emoção e confrontação pessoal) de Herzém e Edmundo Macedo, de Herzém e Humberto Pinheiro, de Herzém e Dilton Rocha, Bramont e cia. Mas essa lenga-lenga toda é para chegar aos dias de hoje: o tempo em que a imprensa que opina e agita a cidade é SOMENTE o rádio. Quando o PT (ou o poder) fala por meio de Herzém e o PFL (ou o sonho do poder) fala por meio de Paulo Nunes. Para chegar a isso ocorreram lances e eventos muito interessantes. Uma epopéia.

O duelo no rádio, hoje I
Peço desculpas a quem ainda visita este blog, pela minha negligência. É que a audiência andou tão baixa que deixei de fazer anotações aqui. Retomarei a partir de amanhã (quinta, 10 de março). Talvez eu ainda escreva sobre a trajetória dos programas de rádio voltados para a política, pouco jornalísticos – no sentido de informações, reportagens, etc. – e ricos em comentários, fofocas e posturas pessoais e partidárias. Nessas passagens trarei um pouco da história da política local nos últimos 20 anos, sem a pretensão de ser fiel à História ou expert no assunto, apenas contarei coisas que lembro e opinarei sobre coisas que aconteceram e/ou acontecem. Ou escreverei sobre outro assunto. Quem ler, diga o que acha. O que quero é registrar: Verba volant, scripta manent.

1996, a estrela sobe (O duelo no rádio, hoje II)
Para chegar aos tempos do PT no poder em Conquista, vamos a 1992. O prefeito era Murilo Mármore, que dizia querer fazer de Vitória da Conquista a Curitiba da Bahia (ou do Nordeste, não lembro bem e não tenho arquivos). Não pôde. Teve um governo complicado, que não conseguia sequer pagar os funcionários. Chegou a inventar dinheiro, ressuscitando os antigos vales (que funcionaram bem antigamente, quando todo mundo podia ser freguês da venda, do armazém da esquina).

Inflação (O duelo no rádio, hoje III)
Nos tempos de Murilo (e de Sarney) a inflação era alta para todos. Para os funcionários da prefeitura ainda maior. Os salários saíam atrasados e desvalorizados. Com o vale-compras Murilo pensou ter resolvido as coisas. O lado da prefeitura, talvez. Mas servidores e funcionários passaram mal, mesmo com o arremedo de dinheiro inventado. Quando iam ao supermercado ou à farmácia com o famigerado vale, ficavam sabendo que as mercadorias, para os barnabés municipais, tinham 20%, 30% de majoração. Argumento dos comerciantes: só conseguiam trocar os vales por moeda tonante depois de 60, 90 dias. A inflação eles tiravam dos salários dos barnabés. Um irmão meu sofreu com isso. Mas resistiu bravamente, vive ainda e sobrevive com o salário que lhe paga o PT, tão miserável quanto, mas em moeda corrente do país.

Quem consegue vencer a eleição? (O duelo no rádio, hoje IV)
Eleito em 1988, Murilo oficializou a micareta, uma obra de Massinha (conheço as divergências e as aceito). Foi também o prefeito dos 150 anos da cidade. Hoje, quando se analisa qualquer administração anterior à do PT, a tendência é hostilizar, criticar, diminuir a importância dos governos que antecederam Guilherme Menezes. Injustiça. Chega-se ao ponto do achincalhe. Ofensa. No tempo de Murilo a cidade era limpa e havia uma preocupação com as praças, jardins e espaços públicos de lazer e convivência social. A praça Tancredo Neves tinha rosas bem cuidadas. Mas, fora o “vale”, não há lembrança instantânea de obra de Murilo Mármore. Um pecado que em 1992 fez surgir a dúvida: quem pode vencer a eleição?

Quem consegue vencer a eleição? (O duelo no rádio, hoje V)
Não posso ser injusto também. Murilo fez o estádio da Zona Oeste, o Murilão. Alguém pode apresentar uma lista de obras em defesa de da administração de MM, mas nenhuma é notória (as tais de lembrança instantânea). Entretanto, nenhum opositor (Murilo ainda os tem, sim, apesar de “meio” distante da mídia) poderá dizer, sendo justo, que foi uma administração desprezível. Mas, de despertar pouco entusiasmo isso foi. Assim, Pedral (não mais o J. Pedral de antes, depois explico como mudou) seria o candidato, o único capaz de salvar a lavoura, sem entregar-lhe a Raul Ferraz ou a pessoal do PT-PCdoB-PV (sim, o PV foi o foguete que trouxe a ogiva que detonaria 4 anos depois).

Pedral é carlista, então? Guilherme é verde, sim? (O duelo no rádio, hoje VI)
Estamos em 1992, onde eu queria chegar ao iniciar essa fase do blog (reveja O duelo no rádio, hoje e 1996, a estrela sobe). O Brasil é sacudido pelos caras-pintadas. A Nação quer Collor fora. ACM, o ainda rei da Bahia (que não mandava em Conquista) apoiava o presidente desgastado, combalido e acusado de corrupção, tachado de “o maior ladrão de todos”, tanto que seria o primeiro presidente a ser mandado embora por impeachment. Aqui, três candidatos principais vão disputar a eleição: Raul Ferraz, Guilherme Menezes e José Pedral, este outrora mito pela posição à esquerda, por ter sido cassado pelo golpe de 64, por ser adversário de ACM e dos udenistas todos, capitula e encantado como os marujos pelas sereias, vai para a eleição apoiado por ACM. Vence. Raul e Guilherme ficam logo atrás.

Sem vice. O início do fim (O duelo no rádio, hoje VII)
Foi eleita vice na chapa de Pedral, a então deputada estadual Margarida Oliveira (a mais forte, carismática e simpática – sim, existem – carlista da história de Conquista). Não se sabe ainda o que o prefeito eleito disse à vice, mas o fato é que ela renunciou. Pedral, que começara ali a tentar justificar a adesão ao carlismo, dizendo ter sido uma aliança “administrativa”, poderia ter dado um jeito de afastar Margarida, imaginando, assim, estar afastando o carlismo, o qual ele combatera por tanto tempo? Por seu desejo ou não, o prefeito ficou sem vice. Talvez uma vitória de Pirro (quem sabe eu consiga defender essa tese mais na frente?).

Radialista renova baterias. A estrela aparece. (O duelo no rádio, hoje VIII)
O certo é que Pedral Sampaio (nova marca) não conseguiu resolver os problemas que atrapalharam Murilo Mármore. E teria novos e maiores. Traumáticos, alguns. Eu editava o jornal Folha de Conquista com meu ex-sócio Moisés Malta e nessa condição acompanhei de perto os dois primeiros anos daquele terceiro e último mandato de Pedral.

O duelo no rádio vai continuar (?)
Estou escrevendo a seqüência das tiras sobre o duelo no rádio. Para chegar aos dias de hoje, faço passagens na política local desde 1982. Não vou contar a história da política de Conquista dos últimos 22 anos. Não sou historiador. Mas há momentos curiosos. E o rádio (leia-se quase sempre Hérzem) está no meio. Só continuarei a publicar, no entanto, se tiver conhecimento de que um bom número de pessoas leu o que já escrevi na seqüência que se pode ver abaixo.

Trabalho sério
Não quero parecer pretensioso ao solicitar e-mail de quem deseja a manutenção do blog. É que encaro com seriedade esse trabalho e quero ampliá-lo, desde que tenha alguma utilidade, digamos, social.

Atraso calculado
Alguns amigos me enviaram e-mail reclamando que eu teria deixado de cumprir o prometido e não continuei a tal da história do duelo no rádio. Outros e-mails de hoje reclamam de atraso na atualização do blog. Explico os dois: esse negócio de blog é estranho, já que não temos contato ou maiores informações com os “leitores”, assim fico sem saber se há público para a continuidade do trabalho, que dá trabalho fazer. Quanto ao “atraso” está relacionado ao mesmo motivo: devo mesmo continuar, vale a pena, a quem interessa a manutenção do blog? E-mails pa

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