Vale a pena ler (ou reler, para os que acompanhavam o blog antes) para entender o que vem daqui em diante. Ou não.
O duelo no rádio
Quando cheguei a Vitória da Conquista, em 1984, enviado pelo jornal A Tarde para auxiliar o saudoso e competente Hélio Gusmão na cobertura das coisas da “capital do Planalto” e da região Sudoeste, era o tempo de J. Pedral. Sobre ele escrevia muito (e bem) um jornalista chamado Paulo Brandão, que morreu longe daqui, depois de ter sido “deportado” de Vitória da Conquista (essa história eu conto mais tarde).
Pois o jornalista e o radialista mais influente da época não se davam bem. Por algumas razões que diremos óbvias: Paulo Brandão defendia J. Pedral (assim grafado porque assim ele era conhecido, por uma marca). O radialista era inimigo figadal do então prefeito em segundo mandato (as razões conto mais tarde).
O duelo no rádio II
Naquele início dos anos 80, não havia concorrência (externa, diga-se) ao radialista. Na rádio Bandeirantes havia competência, porém lá atuavam ótimos locutores de FM, disc-jóqueis, como se dizia. Pouco se fazia em termos de jornalismo e menos de debate político, embora os radialistas de lá comparecessem a coletivas e usavam equipamentos com adesivos de “imprensa” colados.
Só o jornalista Paulo Brandão “duelava” com o radialista.
O duelo no rádio III
Um dia qualquer de outubro ou novembro de 1984, lá se vão 20 anos, escrevi uma matéria bem pequenininha para o jornal A Tarde, dando conta de uma vitória judicial ou algo semelhante (não me lembro bem e não tenho arquivos), do jornalista sobre outro de seus desafetos (ele os tinha muito e mais tarde falo disso também), o delegado Pedro Aníbal, que além de autoridade policial tinha padaria.
A matéria publicada assustou o então representante comercial e chefe do escritório de A Tarde em Conquista , o fotógrafo Kadete, assim mesmo com “k”, um mestre na arte do viver, meu amigo. Disse-me Kadete: “sabe quem passou aqui hoje de manhã, para falar sobre a matéria, dizendo que estava toda errada? Herzém.”
O duelo no rádio IV
Não entendi direito o nome, o que só conseguiria bem mais tarde. E perguntei: “quem é esse Élvio?”
– Um radialista forte, da família Gusmão, a mais valente daqui. Tome cuidado, ele não gostou nada, nada, do que você fez, pois o jornalista não é flor que se cheire.
Kadete me perdoe, as palavras do diálogo certamente não foram essas, mas poderiam ter sido. Um pouco de ficção ajuda o raciocínio.
Bem, a verdade é que Herzém não voltou lá. Nenhum Gusmão me fez qualquer mal, só gentilezas quando ocorreu de alguém da família tratar comigo. Herzém só me constrangeu uma vez (conto mais tarde). E Paulo Brandão e o delegado não foram mais notícias no A Tarde, pelo menos escritas por mim.
O duelo no rádio V
Talvez um dia eu fale dos duelos (sempre no campo profissional, embora com alguns relances de emoção e confrontação pessoal) de Herzém e Edmundo Macedo, de Herzém e Humberto Pinheiro, de Herzém e Dilton Rocha, Bramont e cia. Mas essa lenga-lenga toda é para chegar aos dias de hoje: o tempo em que a imprensa que opina e agita a cidade é SOMENTE o rádio. Quando o PT (ou o poder) fala por meio de Herzém e o PFL (ou o sonho do poder) fala por meio de Paulo Nunes. Para chegar a isso ocorreram lances e eventos muito interessantes. Uma epopéia.
O duelo no rádio, hoje I
Peço desculpas a quem ainda visita este blog, pela minha negligência. É que a audiência andou tão baixa que deixei de fazer anotações aqui. Retomarei a partir de amanhã (quinta, 10 de março). Talvez eu ainda escreva sobre a trajetória dos programas de rádio voltados para a política, pouco jornalísticos – no sentido de informações, reportagens, etc. – e ricos em comentários, fofocas e posturas pessoais e partidárias. Nessas passagens trarei um pouco da história da política local nos últimos 20 anos, sem a pretensão de ser fiel à História ou expert no assunto, apenas contarei coisas que lembro e opinarei sobre coisas que aconteceram e/ou acontecem. Ou escreverei sobre outro assunto. Quem ler, diga o que acha. O que quero é registrar: Verba volant, scripta manent.
1996, a estrela sobe (O duelo no rádio, hoje II)
Para chegar aos tempos do PT no poder em Conquista, vamos a 1992. O prefeito era Murilo Mármore, que dizia querer fazer de Vitória da Conquista a Curitiba da Bahia (ou do Nordeste, não lembro bem e não tenho arquivos). Não pôde. Teve um governo complicado, que não conseguia sequer pagar os funcionários. Chegou a inventar dinheiro, ressuscitando os antigos vales (que funcionaram bem antigamente, quando todo mundo podia ser freguês da venda, do armazém da esquina).
Inflação (O duelo no rádio, hoje III)
Nos tempos de Murilo (e de Sarney) a inflação era alta para todos. Para os funcionários da prefeitura ainda maior. Os salários saíam atrasados e desvalorizados. Com o vale-compras Murilo pensou ter resolvido as coisas. O lado da prefeitura, talvez. Mas servidores e funcionários passaram mal, mesmo com o arremedo de dinheiro inventado. Quando iam ao supermercado ou à farmácia com o famigerado vale, ficavam sabendo que as mercadorias, para os barnabés municipais, tinham 20%, 30% de majoração. Argumento dos comerciantes: só conseguiam trocar os vales por moeda tonante depois de 60, 90 dias. A inflação eles tiravam dos salários dos barnabés. Um irmão meu sofreu com isso. Mas resistiu bravamente, vive ainda e sobrevive com o salário que lhe paga o PT, tão miserável quanto, mas em moeda corrente do país.
Quem consegue vencer a eleição? (O duelo no rádio, hoje IV)
Eleito em 1988, Murilo oficializou a micareta, uma obra de Massinha (conheço as divergências e as aceito). Foi também o prefeito dos 150 anos da cidade. Hoje, quando se analisa qualquer administração anterior à do PT, a tendência é hostilizar, criticar, diminuir a importância dos governos que antecederam Guilherme Menezes. Injustiça. Chega-se ao ponto do achincalhe. Ofensa. No tempo de Murilo a cidade era limpa e havia uma preocupação com as praças, jardins e espaços públicos de lazer e convivência social. A praça Tancredo Neves tinha rosas bem cuidadas. Mas, fora o “vale”, não há lembrança instantânea de obra de Murilo Mármore. Um pecado que em 1992 fez surgir a dúvida: quem pode vencer a eleição?
Quem consegue vencer a eleição? (O duelo no rádio, hoje V)
Não posso ser injusto também. Murilo fez o estádio da Zona Oeste, o Murilão. Alguém pode apresentar uma lista de obras em defesa de da administração de MM, mas nenhuma é notória (as tais de lembrança instantânea). Entretanto, nenhum opositor (Murilo ainda os tem, sim, apesar de “meio” distante da mídia) poderá dizer, sendo justo, que foi uma administração desprezível. Mas, de despertar pouco entusiasmo isso foi. Assim, Pedral (não mais o J. Pedral de antes, depois explico como mudou) seria o candidato, o único capaz de salvar a lavoura, sem entregar-lhe a Raul Ferraz ou a pessoal do PT-PCdoB-PV (sim, o PV foi o foguete que trouxe a ogiva que detonaria 4 anos depois).
Pedral é carlista, então? Guilherme é verde, sim? (O duelo no rádio, hoje VI)
Estamos em 1992, onde eu queria chegar ao iniciar essa fase do blog (reveja O duelo no rádio, hoje e 1996, a estrela sobe). O Brasil é sacudido pelos caras-pintadas. A Nação quer Collor fora. ACM, o ainda rei da Bahia (que não mandava em Conquista) apoiava o presidente desgastado, combalido e acusado de corrupção, tachado de “o maior ladrão de todos”, tanto que seria o primeiro presidente a ser mandado embora por impeachment. Aqui, três candidatos principais vão disputar a eleição: Raul Ferraz, Guilherme Menezes e José Pedral, este outrora mito pela posição à esquerda, por ter sido cassado pelo golpe de 64, por ser adversário de ACM e dos udenistas todos, capitula e encantado como os marujos pelas sereias, vai para a eleição apoiado por ACM. Vence. Raul e Guilherme ficam logo atrás.
Sem vice. O início do fim (O duelo no rádio, hoje VII)
Foi eleita vice na chapa de Pedral, a então deputada estadual Margarida Oliveira (a mais forte, carismática e simpática – sim, existem – carlista da história de Conquista). Não se sabe ainda o que o prefeito eleito disse à vice, mas o fato é que ela renunciou. Pedral, que começara ali a tentar justificar a adesão ao carlismo, dizendo ter sido uma aliança “administrativa”, poderia ter dado um jeito de afastar Margarida, imaginando, assim, estar afastando o carlismo, o qual ele combatera por tanto tempo? Por seu desejo ou não, o prefeito ficou sem vice. Talvez uma vitória de Pirro (quem sabe eu consiga defender essa tese mais na frente?).
Radialista renova baterias. A estrela aparece. (O duelo no rádio, hoje VIII)
O certo é que Pedral Sampaio (nova marca) não conseguiu resolver os problemas que atrapalharam Murilo Mármore. E teria novos e maiores. Traumáticos, alguns. Eu editava o jornal Folha de Conquista com meu ex-sócio Moisés Malta e nessa condição acompanhei de perto os dois primeiros anos daquele terceiro e último mandato de Pedral.
O duelo no rádio vai continuar (?)
Estou escrevendo a seqüência das tiras sobre o duelo no rádio. Para chegar aos dias de hoje, faço passagens na política local desde 1982. Não vou contar a história da política de Conquista dos últimos 22 anos. Não sou historiador. Mas há momentos curiosos. E o rádio (leia-se quase sempre Hérzem) está no meio. Só continuarei a publicar, no entanto, se tiver conhecimento de que um bom número de pessoas leu o que já escrevi na seqüência que se pode ver abaixo.
Trabalho sério
Não quero parecer pretensioso ao solicitar e-mail de quem deseja a manutenção do blog. É que encaro com seriedade esse trabalho e quero ampliá-lo, desde que tenha alguma utilidade, digamos, social.
Atraso calculado
Alguns amigos me enviaram e-mail reclamando que eu teria deixado de cumprir o prometido e não continuei a tal da história do duelo no rádio. Outros e-mails de hoje reclamam de atraso na atualização do blog. Explico os dois: esse negócio de blog é estranho, já que não temos contato ou maiores informações com os “leitores”, assim fico sem saber se há público para a continuidade do trabalho, que dá trabalho fazer. Quanto ao “atraso” está relacionado ao mesmo motivo: devo mesmo continuar, vale a pena, a quem interessa a manutenção do blog? E-mails pa