Notas de Conquista

24/10/2011

De Elomar e Caetano. (Um artigo, que chamo de ensaio por ser um ensaio mesmo, para ser contestado)

Adorei ler em A Tarde artigo de Caetano Veloso em que confessa ter se inspirado em Elomar (Figueira Mello) para compor “Beleza Pura”. Não sou conquistense, mas Vitória da Conquista é a terra que me deu os melhores anos da minha vida e os melhores presentes de toda ela, que são meu filhos, e sou dos que glorificam o magnífico trabalho de Elomar, o mais genial dos conquistenses conhecidos. Gosto do sentimento de pertencimento que Elomar faz questão de expressar, ao valorizar o sertão do Sudoeste, perto da Tromba, do Rio Gavião, da Lagoa dos Patos, e ter preferido habitar para sempre aquela região, Conquista no centro. Elomar é gênio e genuíno.

Eu ouvira antes, há muitos anos, que ele não era “um cara simples”, pois, argumentavam, apesar daquelas vestes de fazendeiro/vaqueiro, camisa com os últimos botões abertos, ele se deslocava em uma poderosa e provavelmente luxuosa caminhonete cabine dupla, do ano, e preferiria, em ambientes privilegiados, whisky escocês a cachaça de Itarantim. Quase me convenci, mas percebi a tempo que aquilo era um equívoco.

Para ser simples, não é preciso aparentar ser simplório. E nem Elomar, ou qualquer outro artista, tem a obrigação de ser simples, naquele sentido de andar a pé, abraçar todo mundo na rua, tocar de graça em “budegas” de esquina ou entre as barracas da feira – isso é coisa de políticos, idealmente os populistas e demagógicos. Sei hoje que as “percatas” de couro, a pinga e o cigarro de palha que outrora Elomar fazia uso (soube que já não fuma há mais de 20 anos. Não sei se ainda bebe), não compunham um estilo de uma celebridade excêntrica querendo chamar a atenção, nem o seu enraizamento lá para as bandas do Rio Gavião seria um charme programado para fazer tipo na sua confrontação com a mídia.

Alguns que dizem conhecer Elomar de perto (hoje muito mais gente que há 15 anos) afirmam que ele é assim mesmo, e eu acredito. Certo de tudo era um aposta sincera, uma profissão de fé. Na sua natureza de gênio penso que Elomar age como um evangelista mas não um pregador de multidões. Tem a mensagem e a oferece, mas não a embala com atributos da moda, com a aparência sedutora do marketing, embora ele tenha se dobrado um tantinho que seja a essa ferramenta que o mercado impõe e que ele, ao que eu saiba, odiava lá atrás.

Como um apóstolo da música na sua pregação sincera, Elomar deve ter descoberto que não poderia espalhar sozinho as boas novas que nascem da arte maravilhosa que produz, apesar do poder da sua mensagem e, ainda que continue avesso à mídia como ferramenta mercantil ou como escada para construção/elevação da pseudo-arte, pois acredita que o artista não deve estar em evidência, apenas a arte verdadeira deve ser reverenciada, o Bode (chamado assim carinhosamente, como o Orelana de Henfil, criado em sua homenagem) acertou-se com uma competente agência de comunicação e de promoção de cultura para poder compartilhar ainda mais a arte que dá à luz.

Decerto que a genialidade e a riqueza de sua obra não precisariam de marketing, de mídia, nem de qualquer artimanha comercial, mas a parceria de Elomar com Rossane (e outros) merece a minha admiração e meus agradecimentos. O histórico de trabalho da produtora em associação com o cantador da Casa dos Carneiros evidencia que os dois saíram ganhando. Elomar por ter encontrado caminhos por onde levar a sua arte a mais gente (e creio, podendo ser questionado, ser este um dos sentidos de fazer arte: oferecê-la ao mundo, em favor da sua evolução, para o bem da humanidade). Rossane porque tem a chance de trabalhar com uma figura excepcional, absorvendo de sua experiência de vida, sabedoria e arte. E os demais, de longe ou de perto do Gavião, que passam a ter acesso mais rápido e mais frequente à obra cada vez mais fascinante do malungo, cantador, poeta, pregador, maestro Elomar.

O artigo de Caetano Veloso, ainda que publicado num jornal de circulação restrita à Bahia – e ainda assim de pouca penetração considerando o público que o lê (em Conquista não se vendem mais que 200 jornais) – ajuda a repercutir ainda mais o valor do grande compositor que é Elomar, coisa que ele, certamente, não pediu e não pediria. Afirmam que Elomar continua tão resistente à mídia quanto antes, talvez hoje repudiando-a um pouco mais por causa da sobreposição do interesse comercial, do efêmero, sobre o humano, porém é notório que, se ele não aceita, não rejeita – posto que espontâneas – as brechas que se abrem em órgãos tradicionais da imprensa ou o exuberante tamanho dos espaços que ocupa na internet, com dezenas de canais no YouTube, por exemplo.

Antes de terminar essa tentativa de escrever uma crônica “alto nível”, com o intuito de elogiar Elomar (sem que ele precise, claro) e Caetano Veloso, relembro um episódio de desgaste entre Elomar e a imprensa. E aqui não tão grande imprensa, embora grandes os personagens envolvidos. Em 1985, em Vitória da Conquista, o cantador deu uma entrevista à repórter Regina Bortollo, publicada na revista Panorama da Bahia, já extinta, na qual teria feito um elogio ao político Paulo Maluf, execrado pelas boas cabeças do País e nome concorrente com Tancredo Neves a presidente da República, no colégio eleitoral. Elomar, querido e admirado pelos mesmos que tinham ojeriza a Maluf, deve ter sido questionado, assustou-se com a repercussão, atiçada pelo radialista Herzém Gusmão, na sua Resenha Geral, e para a rádio foi, negar qualquer predileção dele por Maluf. Então, mantendo-se respeitoso à jornalista Regina, tratou de confirmar a sua alergia à mídia, justificando porque não gostava de falar à imprensa.

Por fim, de volta a Caetano Veloso, de quem gosto pela poesia e pela atividade cerebral intensa – manifestada e expressada em ensaios, livros, entrevistas polêmicas e, mais que tudo, na sua música – e de quem guardo um momento carinhoso de quando ele esteve em Vitória da Conquista (pela única vez) e recebeu-me com um abraço à entrada do Livramento Palace, uma boa conversa no saguão do hotel, finalizando com uma demorada, divertida e nunca publicada entrevista após o show no parque de exposições. Por ser também um gênio reconhecido internacionalmente, como Elomar – embora de postura diante da mídia muito diferente da adotada pelo maestro conquistense, que não se expõe a holofotes e não polemiza publicamente sobre quase qualquer coisa – Caetano dá, ainda que desnecessário seja, um aval de qualidade ao trabalho do menestrel baiano. Algo que, se para Elomar não precisava, serve para um tanto de gente – que ainda não ouviu as canções em sertanês do cancioneiro elomariano ou não assistiu às suas cantatas, óperas e encenações levadas ao palco da Casa dos Carneiros, no Domus Operae de Elomar – ficar sabendo que na Bahia há um artista especial, diferenciado, ainda um tanto estranho, posto que não padronizado à estética “mundernista” e midiática, produzindo arte com a sensibilidade dos soprados por Deus.

E se Caetano reparar direito vai ver que há mais de Elomar em sua obra do que em Beleza Pura.

(Não é da fase de antífonas e das composições para suas óperas, mas foi a música de Elomar que primeiro me marcou. Um hino de amor à sua terra e à história de seus ascendentes: Canto de Guerreiro Mongoió)

 

17/09/2010

José Pedral votará em Emiliano José? Tomara.

Numa conversa telefônica, sugeri ao ex-secretário de estado e ex-prefeito de Vitória da Conquista (3 vezes) José Pedral Sampaio que vote no jornalista e escritor Emiliano José para deputado federal. Pedral, que tem cisma com o PT disse que não votaria no petista e que seu voto deve ir para o radialista conquistense Herzém Gusmão, do PMDB.

Retruquei lembrando que tudo o que, eventualmente, o PT tenha feito a Pedral, com a colaboração direta ou indireta de Emiliano José, não chega a uma ínfima parte do que Herzém Gusmão disse, fez ou tentou fazer contra ele por toda uma vida. Pedral, se recuperando de uma cirurgia na carótida, apenas riu. Acho que dizendo “foi mesmo”.

Quando eu disse que Emiliano sempre fora seu amigo, o ex-prefeito de Conquista, figura história da política baiana, emendou: “E ainda é”. Tomara que Pedral, que no domingo completou 85 anos, reflita e ajude nesta eleição a quem quer ajudar a Bahia, coisa que ele sempre fez e que Emiliano faz.

Emiliano José é doutor em Comunicação, professor aposentado da UFBa e autor de oito livros, incluindo Lamarca, Capitão da Guerrilha.

José Pedral sendo entrevistado por Giorlando Lima, há 23 anos

(Eu não voto em Emiliano porque ainda acredito que uma pessoa de quem sou amigo, candidato à mesma vaga, cumprirá sua palavra comigo, honrando compromisso da maior importância e garantindo o meu voto para si. Ainda confio na integridade das pessoas. Como a campanha ainda caminha, tenho tempo para decidir entre o voto e um processo na Justiça. Porém, costumo dizer que, no PT, Emiliano José é um dos melhores quadros.)

13/09/2010

Caiu do cavalo duas vezes, mas, aos 85 anos, Pedral é uma figura da história.

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 13:05

Falei hoje com José Pedral, ex-prefeito de Vitória da Conquista e outrora uma das mais importantes figuras da política baiana. Pedral está em Salvador, na casa do filho, Paulo, convalescendo de uma cirurgia na carótida. Falava como se estivesse gripado, mas com a voz ainda firme, apesar da idade e da cirurgia. Liguei porque pensava que hoje era 12 de setembro, dia em que ele aniversaria, “como Juscelino” – ele lembrou.

José Fernandes Pedral Sampaio completou ontem 85 anos de idade. Disse que vai viver mais quinze, até completar 100 anos. O histórico familiar lhe dá essa confiança. Seu pai viveu mais de 90 anos e perto dessa idade ainda montava a cavalo. Não sei se Pedral também monta a cavalo, mas me lembro de uma vez em que ele quase cai de um, literalmente.

No seu terceiro e último mandato na prefeitura de Vitória da Conquista Pedral vivia às voltas com uma oposição duríssima, salários e pagamentos atrasados, coleta de lixo deficiente, ameaças de CPI na Câmara, pouco dinheiro, muita dívida, pouquíssimas obras. Diferente de seu governo anterior, de 1983 a 1989, quando construiu a maioria dos equipamentos urbanos e a infra-estrutura que permitiu a Conquista chegar ao que é hoje,  aquele estava sendo uma lástima.

Alvo de uma crescente rejeição, Pedral não se dava por vencido e tentava por todos os lados uma reação. Já havia sido deixado de lado por ACM – a quem se aliara rasgando uma bela trajetória de resistência – e pagava as pesadas dívidas contraídas num tempo em que os recursos da União não chegavam, como atualmente, para fazer obras ou prestar serviços como saúde e educação*1. Os convênios eram parcos e o apoio político-administrativo do governo do Estado era quase zero. ACM fizera Pedral dobrar os joelhos, tirando-o do esquerdista PSB e trazendo-o para as hostes da antiga Arena, outrora tão combatida, mas tudo o que fez por Conquista foi entregar uma obra que se arrastava há anos, de ampliação do abastecimento de água da cidade.

Com tanta dificuldade e preocupado em não entrar para a história como um prefeito ruim, Pedral se valia de toda oportunidade para criar fato. Um deles foi chamar a imprensa para conhecer uma “genuína árvore de Pau-Brasil”, localizada em área do município já no limite com Itambé. Era uma árvore gigante e toda a equipe de governo de Pedral estava lá com ele, digamos que inaugurando a árvore rara.

Naquele mesmo dia a autenticidade do Pau-Brasil foi questionada, mas a árvore foi marcada, fotografada e saímos de lá com a informação de que o Município tombaria a área. Havia uma intenção verdadeira naquilo, via-se em José Pedral um entusiasmo juvenil com a “descoberta”. E talvez esse entusiasmo juvenil o tenha inspirado a montar em um cavalo que apareceu por lá. Mas, logo tomaria um susto.

Como era um terreno em declive, cheio de buracos e trechos irregulares, quando o animal deu uma pisada em falso e pendeu para um lado o velho e bom Pedral – não tão velho então, mas nos seus 70 anos – por pouco não se estatelou no chão. Foi amparado pela providencial ajuda de um bem disposto Nilton Júnior, seu secretário de comunicação de então, que ainda não sentia os efeitos das dezenas de cigarro que fumava diariamente.

A descoberta do Pau-Brasil não rendeu grande coisa na mídia. Nem a quase queda de Pedral. Tampouco a área foi tombada. Também não lembro se a autenticidade da árvore gigante foi comprovada. E o governo de José Pedral naquele mandato de 1993 a 1997 agonizou até perto da morte.

O líder que fora preso e cassado pela ditadura, que ajudou a fundar o MDB quando este aglutinava quase toda esquerda brasileira, que foi figura de proa do PMDB baiano, que ajudou a forjar a imagem de uma Vitória da Conquista resistente e forte, chamada de “trincheira da democracia baiana”, encerrou o seu último mandato político amargando dupla derrota. Seu candidato Vonca ficou em terceiro lugar na eleição de 1996 (vencida por Guilherme Menezes, do PT) e o seu pupilo preferido, Murilo Mármore, ficou em segundo, mas brigado com Pedral e apoiado por ACM, que confirmava naquela eleição que seu objetivo era mesmo destruir Pedral, vingar-se, talvez, de anos seguidos de derrotas e oposição.

ACM deu o empurrão que faltava para Pedral cair do cavalo. E nem Nilton Júnior pôde evitar. Não pelos cigarros que fumara, mas, entre outras razões, porque nem secretário era mais. Naquela eleição nem J. Pedral salvaria Pedral Sampaio*2. Uma pena.

Mas, hoje, o tempo é outro. José Pedral é figura da história. Claro que uma geração de mais novos só lembra dele ou comenta sobre ele quando é para brincar sobre o “bigode de Pedral” – um dos poucos erros de cálculo do engenheiro que fez grande parte da Conquista que o PT alarga e amplia hoje -, mas, quem quiser contar a história real da melhor cidade baiana (mesmo sem o litoral) terá que repetir muitas vezes o nome do construtor que vai viver pelo menos 100 anos, como ele mesmo conta.

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*1 Era um tempo sem SUS, sem Fundeb e sem as pesadas transferências de hoje. Para construir uma feira coberta, por exemplo, o município era obrigado a recorrer a financiamentos).

*2 Pedral fez sua carreira política assinando como J. Pedral e assim foi construída a sua imagem em Conquista, na Bahia e no Brasil. Assim ele era tratado e idolatrado pelos conquistenses que o acompanhavam desde 1958, quando se candidatou pela primeira vez – e perdeu. Mas, em 1987, com Waldir Pires governador e Pedral seu secretário de Transportes e Comunicações, consultores de política e publicitários (não se falava em marqueteiro, então) começaram a criar outra marca, visando uma candidatura a governador. “Nascia” o Pedral Sampaio, como os jornais passaram a tratar o político conquistense. O resto quem acompanhou sabe o que aconteceu: Pedral acabou sendo engolido pelas articulações dentro do próprio governo. Waldir Pires o preteriu em favor de Sérgio Gaudenzi e Nilo Coelho, que assumiria o governo com a saída de Waldir acabou sendo ele mesmo o candidato à reeleição (com Pedral já fora da secretaria) em 1990.

Pedral perdeu três eleições. A primeira que disputou para prefeito perdeu para Gerson Gusmão, embora tenha vencido em todas as urnas da sede do município. Perdeu em 1990 quando tentou ser deputado federal e em 2002, quando tentou voltar à política como deputado estadual. Na primeira a explicação era a força do candidato vencedor. Foi uma derrota facilmente aceita. A segunda, para deputado federal, foi resultado de erros de estratégia, de falta de sensibilidade dos especialistas de marketing. Para mim, foi vergonhoso. Pedral era um nome lembrado para o governo do estado, chegou a ter 7% das intenções de voto, porém não conseguiu eleger-se deputado federal. Mas, a derrota em 2002 foi injusta. Ali, uma geração apaixonada pelo novo ícone da política conquistense, o prefeito Guilherme Menezes, recusou dar a José Pedral um mandato que lhe permitiria repor a história, refazer uma jornada e, quem sabe, repetir como deputado o desempenho que teve nas duas primeiras vezes que foi prefeito. Ao mesmo tempo, seria um ato de justiça e gratidão para com aquele que, apesar de sua mudança para o carlismo (tenho certeza que ele se arrependeu), foi o maior prefeito da história de Vitória da Conquista, até a chegada do PT, com Lula, ao poder.

27/03/2010

Conquista chega a 200 mil eleitores.

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 18:27

Nada do que foi será do jeito que já foi um dia.

Próxima eleição de prefeito terá dois turnos.

De 1972 a 1996 o grupo de José Pedral Sampaio dominou a cena política de Vitória da Conquista. A cidade era conhecida como “trincheira da oposição”. José Pedral foi eleito a primeira vez em 1962. Em 64 a ditadura o cassou. Virou mito. Voltou herói em 83 e faz uma grande gestão até 89. As obras de infra-estrutura que fez Conquista usa até hoje.

Dez anos depois, Pedral foi eleito de novo. Daquela vez com apoio de ACM. Virou-se contra a própria história e a História virou-se contra ele. De 1993 a 1997 fez a pior administração da história de Conquista. Aliado a ACM Pedral viu sua força desmoronar, seu governo ser envolvido em denúncias, CPI…

Salários dos servidores e pagamento a fornecedores atrasados, lixo nas ruas e a sujeira das denúncias invadindo a prefeitura criaram um cenário propício para o surgimento do salvador da pátria. E o PT tinha o seu Sassá Mutema.

Mais bem apessoado que o personagem de Lima Duarte, mas tão tímido quanto, Guilherme Menezes era o cara. Em verdade, médico e culto, Guilherme só parecia com Sassá na timidez e na condição de “salvador da pátria”. Com o “presente” que Pedral lhe deu, bastou isso para que fosse eleito.

Por anos, Antonio Carlos Magalhães quis derrotar o PMDB de Conquista, José Pedral junto. ACM queria vencer a “trincheira”. Com a cooptação parecia fácil. Não foi. O PT não deixou. ACM não ganhou nada, além do próprio Pedral – que não mais se recuperou. E o PT está lá até hoje. Quatro mandatos, 14 anos. Pedral mandou dez anos mais.

Hoje, novos números do TSE dão esperança de futuro aos adversários do PT de Conquista. Com 200 mil eleitores a cidade terá 2 turnos em 2012… Neste momento seriam exatos 199.836 eleitores. Logo serão 200 mil. Com dois turnos os adversários do PT de Vitória da Conquista se alvoroçam. E têm mais chance, claro.

Não é cedo para preocupar-se. É preciso correr sem cansar, pois o povo pode cansar também e aí nada do que foi será do jeito que já foi um dia.

01/10/2009

Nos dias de hoje, o troca-troca

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:49

Troca-troca I

Herzém saiu do PSDB para o PMDB, partido onde Coriolano se aboletaria em busca de uma eleição que o ressuscitasse politicamente. Mas, o PMDB refugou Cori. Ele faz o quê? Vai para o PSDB que Herzém refugou.

Herzém já foi PDT, PSB, já apoiou o PT, foi PSDB e agora é PMDB.
Cori já foi PMDB, PSB, PDT, PFL e agora é PSDB.

Cori fez essa trajetória em 30 anos de política. Herzém idem. Porque nem todos são obrigados a saber, mas, Herzém pertenceu a vários partidos, e fez muita política enquanto era radialista. Chegou a ser cogitado para vice de Guilherme ou de Jadiel, se o excelente ex-prefeito se candidatasse de novo; chegou a conversar para fazer dobradinha com o próprio Cori em 1994, e foi cotado ou ofereceu-se para ser candidato a prefeito outras vezes, muito antes de 2008. Porque nada disso se confirmou? Um dia ele fala.

Em 1988, Herzém atacava Pedral com enorme virulência, esculhambava o então prefeito de Conquista como se Pedral precisasse ser escorraçado da face da Terra, aí, fizeram uma oferta a ele, uma boa grana, e ele passou a fazer parte do palanque de Murilo Mármore, encarregado de anunciar os discursos exatamente de Pedral e do próprio Murilo, com seu vozeirão. Quem contratou Herzem não contratou o animador de comício, ele sabe disso, contratou o radialista, que ficou calado no rádio enquanto gritava no palanque, com Zerenildo e Edivaldo Ferreira: “Com vocês, ele, J. Pedral, Pedral, Pedral”.

Há alguns anos Herzem dizia no rádio, literalmente, que Conquista deveria colocar os joelhos no chão e rezar, agradecendo a Deus por Guilherme, um santo, um anjo, um ídolo. Deus no céu e Guilherme na Terra (isso quando não invertia os papéis). Hoje, Guilherme e o PT são os cães do inferno.

Herzém mudou porque ele se acha Deus. Ou recebeu uma missão, uma mensagem divina. Deve ser isso.

Não diria jamais que Herzém é corrupto ou que rouba. Mas, que é incoerente, isso é. E sempre se moveu pelas ofertas. Sempre foi um profissional, no sentido de saber usar a profissão. Mostra, agora, que sabe ser, também, um profissional da política.

Eu não votarei nele. Nem em Cori.

Troca-troca II

Nos primórdios, Cori foi um político correto, aos olhos distantes do eleitor. Trabalhava muito por Conquista e região. Mas, não gosta nem de Deus. É um cara insensível, que só pensava em política e mandato. Nem no poder, mas nos benefícios do mandato, em viajar o mundo por conta do contribuinte. Gostava de ser autoridade. Um anti-social. Ninguém o via em festas, ninguém o via em missas ou cultos. Ninguém o via com a família. Nem Natal Cori comemorava.

Um dia o eleitor viu o que ele fazia escondido. O santo de barro quebrou-se, partiu-se em pedaços. Uma vergonha que o fez renunciar. E, de repente, o cara que preferia viver sozinho, que desconfiava de todo mundo, que se achava o melhor, o mais capaz, o único, ficou isolado, acabrunhado, andando pelas ruas como um zumbi da política, mendigando olhares.

Agora, a arrogância tomou outro tombo. Foi trocado por Herzém. Os dois irmãos gordinhos acham que Coriolano não sai mais do lugar. Nem pediram desculpas, nem disseram obrigado, exatamente como Cori sempre agiu.

Mas, Cori quer ressuscitar. Eu, como cristão, acho que ele merece uma chance. Mas, ele já pediu desculpas ao povo pelo que fez? Ele já mostrou que merece essa chance que pede? Eu já votei nele, não voltarei a votar, mas, se ele demonstrar que se envergonha da vergonha que causou, poderá voltar a ser deputado, porque isso ele sabia ser, com competência.

A questão é saber como ele se comportará quando lhe propuserem emendas ao Orçamento da União para ambulâncias, quadras poliesportivas, feiras cobertas ou anel viário.

Herzém é uma incógnita. Radialista, ele negocia espaço e credibilidade no rádio. Eleito deputado, ele vai negociar o quê? Espero que ele ache importante esclarecer essa questão. Feito isso, poderá ser um deputado, sim. Ele é incoerente politicamente, mas é inteligente, poderá se dar bem lá.

Mas, na comparação, homem por homem, pessoa por pessoa – o incoerente e mercantilista Herzem e o poço de frieza e sanguessuga Cori – acho que dá empate.

Ainda bem que existe Mão Branca.

30/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 6

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 20:32

Como eu disse antes, Pedral não sabia que ao trazer Guilherme Menezes para o seu governo estaria, como dizia o povo antigamente, “criando cobra para lhe morder”, ou “sarna para se coçar”. Não que Guilherme nunca tivesse feito parte da administração municipal. Quando Jadiel era prefeito e o secretário da Educação era Fernando Eliodório, Guilherme Menezes chegou a Conquista com uma mochila nas costas e acabou ganhando um emprego de professor na zona rural, na localidade de Cachoeira das Araras.

Como tudo o que escrevo está na minha memória e é baseado em relatos, pode haver inconcisão de datas, personagens ou locais. Mas, com certeza, Guilherme não era médico ainda e o lugar por onde começou a sua “jornada” foi mesmo Cachoeira das Araras, que, na propaganda de sua campanha de 1996 ganhou uma reportagem com abordagem romântica e emocionante, do tipo “A Volta do Professor Querido”.  Não precisa dizer que teve o atual prefeito teve lá uma excepcional votação.

A eleição de 1996 foi a segunda disputada por Guilherme Menezes como candidato a prefeito. A primeira foi em 1992, contra Raul e Pedral. Pedral ganhou. Havia feito um pacto com Antônio Carlos Magalhães, que até hoje não teve as suas razões bem explicadas – Pedral não acha isso importante – e que ninguém entendia ser necessário – só Pedral e alguns de seus mais chegados na política.

Ao aderir ao carlismo Pedral manchou a sua história política, abriu mão da posição de destaque que desfrutava na política baiana em favor de algum interesse maior, segundo ele. Com esse apoio ele se elegeu em 1992 pela terceira e última vez. Nos quatro anos seguintes, ele manchou a sua carreira de administrador. Fez uma péssima gestão e a tal ajuda que ACM traria para as coisas darem certo ninguém viu. Para piorar, escândalos se sucederam e nunca se falou tanto em corrupção como naquele período – na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Algumas acusações dizem ter sido injustas, outras eram indefensáveis. Mas, ninguém foi preso ou perdeu mandato. Só Pedral perdeu tudo, considerando que, sendo uma lenda da política baiana, cairia estrondosamente no limbo dos nunca mais reeleitos, apesar de outras duas tentativas.

Em 1996, Pedral perdeu duas vezes. Queria que fosse Yvonilton (Vonca) Gonçalves o candidato a prefeito para enfrentar Guilherme, escolhido por uma frente de partidos, porém, uma crise em seu grupo e uma parte dele conseguiu firmar a candidatura de Murilo Mármore – este com o apoio de ACM que, mais uma vez, deixara Pedral na mão. Os dois, Murilo e Vonca, perderam para Guilherme, que teve mais votos que os dois juntos.

Nunca mais Conquista foi a mesma. E Pedral, como político, passou a ser apenas um nome na história. Ao ponto de, no final de 2008, em uma reunião com participação de políticos e líderes dos partidos derrotados por Guilherme, chamar de líder Herzém Gusmão – o radialista que o combateu como se travasse uma guerra.

No próximo capítulo, escreverei sobre alguns momentos cruciais da relação de amor e ódio, mais de ódio, entre Pedral e Herzém, o atual líder.

Herzem e Pedral

Nesta foto, de 1989, o radialista Herzém Gusmão entrevista o prefeito José Pedral, pouco antes da inauguração da TV Cabrália, no Shopping Itatiaia, em Conquista. Os dois estavam muito amigos, então.

23/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 4

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 00:26

Pedral abre espaço e surge quem o substituirá contra a sua vontade

Uma das maiores lideranças políticas da história de Conquista, o engenheiro José Fernandes Pedral Sampaio, que se chamava J. Pedral quando foi eleito pela segunda vez (recuperando pelo voto um mandato que a ditadura havia surrupiado em 64) fez em seis anos, de 1983 até passar o cargo a Murilo Mármore, em 1889, um governo para ficar na História.

Tocador de obras, J. Pedral fez ou começou a maioria dos equipamentos e a infra-estrutura que hoje funcionam em Vitória da Conquista. Feiras cobertas (Ceasa e bairro Brasil), terminal de ônibus, esgotamento sanitário, barragens, as primeiras vias asfaltadas no interior do município e a extensão do asfalto para os bairros mais afastados do centro, como o Ibirapuera e o alto do Guarany, a urbanização e ampliação da praça Barão do Rio Branco e até um elevado na Régis Pacheco, parte de um bom projeto de ligação da praça da Bandeira ao Ceasa, projeto que o próprio Pedral abandonou e hoje é motivo de piada.

Porém, o mais importante naquele período, foi a construção do projeto político de Vitória da Conquista, coincidente com o surgimento ou crescimento dos partidos de esquerda. Com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a liberação dos partidos comunistas, o surgimento do PT, o Brasil vislumbrava uma democracia ampla, exemplar para a América Latina. Conquista atuou neste sentido, com Pedral à frente.

O governo de Pedral de 1983 a 1989 estimulou a criação e atuação das associações comunitárias nos bairros e na zona rural. Com o trabalho de Elízio Santana, que foi secretário de Expansão Econômica, as associações de moradores se organizaram, implantaram hortas, olarias, padarias e até leiterias, com a famosa vaca mecânica.

Pedral dialogava com todas as correntes mais à esquerda e simbolizava para a Bahia a Conquista oposicionista, trincheira da resistência ao carlismo e à ditadura, mesmo havendo dentro do principal partido, o PMDB, forças antagônicas. Estas divergiam entre si, mas colocavam Conquista acima de tudo.

Foi nesse período, com esse clima de democracia e participação, que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso. Foi nesse período que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso.

Para chegar aos dias de hoje – 5

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 00:10

Uma das áreas mais avançadas no governo de Pedral (e Hélio Ribeiro) de 1983 a 1989 era a saúde. Naquele tempo, Conquista implementou um programa de agentes comunitários de saúde e de valorização e atualização do trabalho das parteiras na zona rural, por exemplo, muito antes do ministro José Serra consolidar essa idéia nacionalmente.

A secretaria de Saúde era um local de debates, avanços, com jovens médicos levando a sério o projeto de fazer saúde pública com ética e universalidade. Uma ação que teve a liderança inicial de Armênio Santos, um oftalmologista impetuoso e incansável, com potencial politico, até perder os limites e ser engolido pelo sistema autofágico que se iniciou entre os pedralistas quando a força de Conquista cresceu muito, durante a eleição e o governo de Waldir Pires. Armênio foi um excelente secretário, mas como político não deu certo, sequer teve carreira.

Com a saída de Armênio da secretaria de Saúde para assumir a Defesa Civil no governo de Waldir, ficou decidido que três outros médicos assumiriam o cargo, dividindo o período que faltava de governo – dois anos. Fábio Ferraz, José Henrique Padre e Guilherme Menezes.

Guiherme, que ao chegar a Conquista em 1973, no governo de Jadiel, atuou na área de educação, no interior do município, agora, tinha a oportunidade de colocar em prática seus ideais de saúde pública. Não foi bem desse jeito, porque havia um certo engessamento no projeto pronto da saúde de Conquista (e muita desconfiança) mesmo assim, Guilherme pôde ampliar seus contatos com a população, movimentar-se pelo município e fazer a base do seu projeto político, ainda que, é correto dizer, sempre pautasse sua ação de forma responsável e até tímida. O prefeito em exercício era Hélio Ribeiro. Pedral estava na secretaria estadual dos Transportes.

Logo depois de desempenhar o papel de secretário de Saúde de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes foi escolhido diretor do Crescêncio Silveira, numa eleição direta em que votaram os profissionais do hospital, incluindo os médicos daquele que era o único hospital estadual na cidade.

Não sei se Guilherme era filiado a algum partido político. Talvez ao PMDB de Waldir, embora fosse discreto. O PV, partido pelo qual ele foi candidato a prefeito em 1992, já existia quando ele foi secretário de Saúde e diretor do Crescêncio Silveira, mas não havia se formado ainda em Conquista.

O incrível é que desde que Guilherme apareceu em Conquista, passando de educador rural, a secretário de saúde, diretor de hospital, candidato a prefeito, deputado estadual, prefeito eleito duas vezes, deputado federal eleito duas vezes e prefeito de novo, todos os políticos atuantes daquele tempo perderam espaço ou desapareceram como lideranças.

Alguns porque se distanciaram e foram esquecidos pelo eleitor, outros porque foram punidos e rejeitados nas urnas, poucos porque desistiram. Entre os que estão vivos: Raul Ferraz, Sebastião Castro, Margarida Oliveira, Coriolano Sales, Clóvis Flôres, Clóvis Assis, Murilo Mármore, Antonio Dantas, Vonca Gonçalves, Élquisson Soares, Leônidas Cardoso, Iran Gusmão e, mais recentemente, José William e Edivaldo Ferreira.

Daquele tempo só ficou Vivi Mendes, com a ajuda do próprio Guilherme. Muitos tentaram e ainda tentam recuperar prestígio politico-eleitoral, votos. Ninguém conseguiu ainda, entre os, digamos, politicos tradicionais. Alguns ex-prefeitos sequer conseguiram eleger-se vereador. Hoje, o nome que existe como força de oposição a Guilherme e alternativa ao PT no governo, é o radialista Herzém Gusmão. Voltamos a nossa história.

15/05/2009

Para chegar aos dias de hoje – 1

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:41

Divagação histórica, com foco no MDB

Para que eu possa continuar o tema inicial deste blog, me permitirei “divagar historicamente” sobre o antigo partido de José Pedral Sampaio, a mais importante figura da política conquistense dos últimos 47 anos.

O antigo MDB que elegeu Jadiel em 1972 não era o mesmo em 1982. A eleição de Jadiel foi um marco político da cidade e até hoje é lembrada como a retomada de um projeto mais à esquerda interrompido em 1964 com a cassação de José Pedral. O agrupamento que fazia oposição ao governo militar e ao seus representantes da Arena chegou perto em 1966 quando Gilberto Quadros teve a maior votação individual, mas como naquele tempo havia uma aberração chamada sub-legenda, a ditadura determinou como eleito Fernando Spínola, que foi o mais votado pela Arena 1, cujos votação somada com os votos dados ao candidato da Arena 2 superou o total dos dois candidatos do MDB.
Frustradas as eleições de 1966 e 1970, quando foi eleito Nilton Gonçalves, vencendo a Jadiel Matos, o MDB chega à prefeitura de Vitória da Conquista com Jadiel em 1972. Ali, a divisão do partido estava definida. De um lado Jadiel, Sebastião Castro e Élquisson Soares, entre outros, do outro lado José Pedral e Raul Ferraz, para ficar nos políticos de maior projeção. A consolidação da divisão, que virou briga, deu-se em 1976 quando o grupo de Jadiel queria Fernando Dantas Alves como candidato a prefeito e José Pedral quis Raul Ferraz. Como a cada eleição era como se fosse a vez de Pedral mas ele não podia, pois estava afastado da política por força de ato do governo militar, era como se Pedral pudesse escolher quem iria “no lugar dele”.

Para chegar aos dias de hoje – 2

Filed under: Uncategorized — Giorlando Lima @ 21:39

Raul Ferraz trouxe o Cristo para a serra. Jadiel trouxe Guilherme

O mandato de Raul foi o primeiro de seis anos. Foi mediano. Ou, pelo menos, não se sabe muita coisa de destaque que ele tenha feito. A estátua do Cristo na serra do Periperi foi colocada lá durante a administração de Raul, mas, dizem quase todos os pedralistas vivos que o projeto e a encomenda vinham desde o mandato interrompido de José Pedral (que, é bom lembrar, era chamado pela marca de J. Pedral).
Também não se acha muita coisa ou quase nada físico, material do governo de Jadiel, que é defendido por muitos como o melhor da história de Conquista. Mas, defendem os que participaram ou torceram por Jadiel, inclusive alguns que são guilhermistas hoje, que Jadiel fez um governo social, baseado na educação, além de ter dado atenção especial ao interior, com suas estradas e açudes sempre precisando reformar ou aumentar. Guilherme Menezes, o prefeito de Vitória da Conquista neste 2009, chegou naquele tempo. Teria começado o seu projeto de melhorar a cidade pelo povoado de Cachoeira das Araras.
Aí, já são outros capítulos.

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